Demografia Médica

Demografia Médica é um projeto de grande sucesso e de importância essencial para o conhecimento e planejamento da atividade médica no Brasil.
Coordenado pelo professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, o estudo há anos nos brinda com informações valiosas sobre os médicos e suas áreas de atuação em todo o país.

Neste ano, pela primeira vez, o levantamento traz um olhar especial para uma das especialidades mais fundamentais da saúde brasileira: a Cirurgia Geral.
A pesquisa investigou, em profundidade, aspectos como a distribuição geográfica dos profissionais, formas de atuação, remuneração e outros dados relevantes — tudo isso com recorte nacional.

Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) teve a honra de ser convidado a participar desse trabalho de grande escala. Nossa capilaridade nacional foi fundamental para que as informações fossem colhidas nos mais diversos cantos do país, permitindo um retrato fiel e abrangente de quem é e como atua o cirurgião geral brasileiro.

O CBC agradece pela parceria institucional, pelo apoio dos financiadores e pelo empenho de toda a equipe envolvida nesse projeto tão relevante.

É com grande satisfação e orgulho que o Colégio apresenta aos seus membros, e a todos os cirurgiões e médicos do Brasil, essa contribuição essencial para o entendimento da realidade da Cirurgia Geral no país — uma ferramenta indispensável para o planejamento e fortalecimento da Cirurgia Nacional.

Com alegria, o CBC compartilha com vocês esse trabalho grandioso.

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Demografia Médica no Brasil 2025: o papel do CBC na produção do estudo mais abrangente sobre a medicina no país

A edição deste ano representa um marco na história da demografia médica brasileira, reunindo 10 estudos independentes conduzidos por 22 pesquisadores de instituições renomadas. O trabalho contou ainda com o apoio técnico e institucional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Ministério da Educação (MEC), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além do decisivo protagonismo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).

O papel estratégico e científico do CBC

A participação do CBC foi fundamental para a realização e robustez metodológica da pesquisa. A instituição contribuiu com dados qualificados e análises aprofundadas sobre a atuação dos cirurgiões brasileiros, enriquecendo especialmente os estudos relacionados à produção de cirurgias, vínculos empregatícios e renda dos profissionais da área cirúrgica.

Segundo o presidente do CBC, Dr. Pedro Portari, “a nossa contribuição foi através de dois membros do colégio, o Professor Ramiro Colleoni Neto e o Doutor Gerson Pereira. Eles ajudaram na confecção do instrumento de pesquisa, ou seja, no questionário”. Ele complementa: “O colégio permitiu ao grupo da pesquisa o acesso aos cirurgiões, membros do CBC, em todo o país, graças à nossa capilaridade. Fomos fundamentais para garantir uma boa adesão dos profissionais ao inquérito nacional”.

O estudo revela dados inéditos sobre a desigualdade na oferta e no acesso a cirurgias no Brasil. “Os principais desafios incluem a concentração importante de médicos cirurgiões nas regiões Sudeste e Sul, enquanto há escassez significativa no Norte e Nordeste. Isso evidencia a relação direta entre a distribuição dos profissionais e o desenvolvimento econômico regional”, aponta Portari.

Para o coordenador da pesquisa, Dr. Mário Scheffer, “o CBC teve uma participação importante na adesão dos cirurgiões. Contribuiu para divulgar a pesquisa e fazer com que tivéssemos uma boa adesão, o que permitiu entrevistar 1.544 cirurgiões no inquérito nacional ‘Os Cirurgiões no Sistema de Saúde’”.

Novidades e projeções até 2035

Um dos principais destaques da DMB 2025 é o Atlas da Demografia Médica, uma ferramenta interativa e detalhada que apresenta informações atualizadas sobre a atuação dos médicos nas 27 unidades da Federação e nas 55 especialidades reconhecidas no país. Além disso, o relatório aprofunda análises sobre a residência médica e os cursos de graduação em medicina, evidenciando as assimetrias regionais e os desafios na formação de profissionais qualificados.

Para Scheffer, “trabalhamos com projeções da oferta de médicos para os próximos 10 anos, o que é fundamental para o planejamento da força de trabalho, especialmente diante da rápida expansão de cursos e vagas de medicina. Em 2025, o Brasil alcançará a marca de 3 médicos por mil habitantes, com possibilidade de chegar a 5 por mil até 2035”.

Outro dado relevante é a mudança no perfil da profissão: “As mulheres passam a ser maioria entre os médicos e, em uma década, representarão 56% da força de trabalho médica. No entanto, ainda são minoria nas especialidades cirúrgicas”, observa o pesquisador.

Desigualdade no acesso e tecnologia

O levantamento também destaca profundas disparidades entre o setor público e o privado. “Escolhemos três cirurgias gerais muito frequentes — apendicectomia, colecistectomia e correção de hérnias — e identificamos uma diferença gritante na oferta entre usuários de planos de saúde e do SUS. A videolaparoscopia, por exemplo, é muito mais acessada no setor privado”, alerta Scheffer.

Segundo ele, “há evidências de que a videolaparoscopia resulta em menos complicações e recuperação mais rápida. Ainda assim, no SUS, a maioria das cirurgias ainda ocorre por via aberta, o que reforça a necessidade de investimentos em tecnologia, capacitação e infraestrutura”.

Impacto e relevância

Para o presidente do CBC, “a participação do Colégio nesse movimento é uma honra muito grande e de grande importância. A Demografia Médica é um instrumento essencial para o planejamento de ações de saúde pública e para compreender a real distribuição dos médicos e cirurgiões no país”.

A DMB 2025 representa não apenas um retrato preciso do presente, mas também uma bússola para o futuro da profissão médica no país. Ao oferecer dados confiáveis, acessíveis e integrados, o estudo se consolida como referência para pesquisadores, formuladores de políticas públicas e instituições comprometidas com o fortalecimento do sistema de saúde.

O papel do CBC, ao lado das demais instituições envolvidas, reafirma seu compromisso com a valorização da profissão médica e com a excelência da prática cirúrgica, contribuindo ativamente para uma medicina mais equitativa, eficiente e centrada na qualidade da assistência à população.